I may be paranoid, but am I paranoid enough?
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Eu não penso muito, só quando não consigo dormir e a minha cabeça não me dá outra escolha senão percorrer os seus campos infecundos, cavucar com os pés desanimados a areia fina que acaba tão cedo em concreto e ouvir o vento desesperançoso até o sono chegar. É mais divertido do que parece, a minha cabeça é um lugar engraçado. Patético, mas engraçado.
Ontem estava nessa quando senti algum intruso debaixo do travesseiro. Meus dedos entregaram sua identidade facilmente, depois de tantos anos manuseando peças similares: era uma pecinha de lego, três por dois, um coiso de altura, vermelhinha. A peça mais genérica (e portanto simbólica) possível.
Não vejo peças de lego naquela casa há anos, acho que o universo está querendo me dizer alguma coisa. Ou isso ou ele não quer que eu durma.
Tuesday, October 25, 2005
Thursday, October 13, 2005
Entre livros, fico na rede coçando o queixo, perscrutando as arestas minhas que me incomodam, as partes que se esfarelam se passar o dedo. Decido que me falta coragem, não apenas, mas principalmente. Satisfeito com uma conclusão importante e corajosa dessas, me espreguiço e vou procurar um chocolate.
É sempre melhor situar um escrutínio pessoal para a tarde, o mormaço permite chegar nos cantos mais arredios, não há orgulho que não se amoleça. Mas tomar decisões é outra história, para isso existem as madrugadas, horas solenes.
Mas oh, minha vontade é pular umas etapas de esforço e chegar direto na parte onde percebo que tal coisa Esteve Dentro De Mim Todo Esse Tempo. Na verdade a poção era só água, yeah.
É sempre melhor situar um escrutínio pessoal para a tarde, o mormaço permite chegar nos cantos mais arredios, não há orgulho que não se amoleça. Mas tomar decisões é outra história, para isso existem as madrugadas, horas solenes.
Mas oh, minha vontade é pular umas etapas de esforço e chegar direto na parte onde percebo que tal coisa Esteve Dentro De Mim Todo Esse Tempo. Na verdade a poção era só água, yeah.
Friday, October 07, 2005
Thursday, October 06, 2005
de vez em quando sinto algo engraçado com as Grandes Obras, aquelas que merecem edições bonitas e devidamente anotadas, Tesouros da Literatura Universal. nunca me parece algo natural, humano, a elaboração de coisas desse calibre. frases tão certinhas e infalíveis, tão acima do esforço humano que tenho acesso na minha humilde cacholinha, que não consigo imaginar a confecção delas*. passa bem acima da minha cabeça, simplesmente. pelo que sei, elas sempre estiveram ali, escritas, compostas, limpando poeira dos ombros e justificando o comportamento humano com sua existência. por isso, quando há um daqueles momentos prodigiosos de a-ha, quando se percebe um detalhe qualquer que não está tão claro, não admiro o autor, é como se percebesse uma lógica externa à ação dele, algo tão uou que não quero admitir que foi bolada por um ser humano, aquilo foi gerado espontaneamente dentro do livro, é claro, os personagens são culpados, evidentemente, ou então eu que percebi algo que não estava lá antes. de qualquer forma, é divertido.
hm, essa não é a forma correta de se começar um blog.
enfim, olá.
*mais comum com poesia do que com romances, porque todo romance tem trechinhos e que-tais que não são lá essas coisas, podem ser bem construídos, e tal, mas revelam as cordinhas por trás das coisas. elas podem não se embaralhar, mas aparecem. tá, é necessário pro desenvolvimento disso e daquilo, mas não dançam break com sua alma, não tomam chá e biscoitos com seu espírito**
**o que quer que isso signifique
hm, essa não é a forma correta de se começar um blog.
enfim, olá.
*mais comum com poesia do que com romances, porque todo romance tem trechinhos e que-tais que não são lá essas coisas, podem ser bem construídos, e tal, mas revelam as cordinhas por trás das coisas. elas podem não se embaralhar, mas aparecem. tá, é necessário pro desenvolvimento disso e daquilo, mas não dançam break com sua alma, não tomam chá e biscoitos com seu espírito**
**o que quer que isso signifique
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